A origem do povoamento

A povoação de Rio Tinto é anterior à criação do reinado de Portugal. O nome desta povoação e referido num documento do século XII dando-a como vizinha de “castrum amai” em território portucalense e, nesse século, a terra pertenceu ao alcaide Mendo Estrema, rico-homem de Gondomar, defensor de Évora por alturas de invasão mourisca (1191).

Identificava-se também pela existência de um antigo convento de Agostinhas, fundado em 1062. D. Afonso Henriques, após a criação do reino de Portugal, protegeu-o dando-lhe foro de couto a 20 de Maio de 1141, foro esse que foi renovado pelos monarcas posteriores.

Este couto englobava as aldeias de Vila Cova, Ranha, Rebordões, Quinta, Triana, Portela, Areosa, Pinheiro, Giesta, Braz Oleiro, Forno, Santegãos, Carreiros, Medancelhe, Casal, Lourinha, Sevilhães, Perlinhas, Ferraria, Venda Nova, Cavada Nova, São Sebastião, Vale de Flores, Soutelo, Mendalho, Amial e Mosteiro.

No tempo de Fernando Magno, rei de Leão (1073), “aqui se fundou um convento de freiras agostinhas”.

A povoação de Rio Tinto era bem maior do que a cidade de hoje. O seu centro situava-se nos arredores do mosteiro de S. Cristóvão, edificado junto ao rio, provavelmente entre a actual Rua do Mosteiro e o Cemitério, mais concretamente onde era a Quinta do Mota –  cujo proprietário foi José Coelho da Mota, professor – à qual o abade desta freguesia, Padre António Augusto da Costa Leite, no seu livro de memórias e de despedida se refere como Quinta do Mosteiro.

Na verdade, diz ele, “a residência paroquial foi construída em terreno destacado da Quinta do Mosteiro cedido gratuitamente pelos seus proprietários José Coelho da Mota e esposa”.

Por outro lado, o nome dado à propriedade de Santos Monteiro, agora pertença da Câmara Municipal de Gondomar, Quinta das Freiras, dada a sua localização, também concorre para se poder dar crédito ao lugar apontado da construção do Mosteiro.

Era a partir dele que a vida da povoação se fazia. O convento tinha o padroado – direito de protetor adquirido por quem fundava uma igreja – de 12 igrejas. O seu edifício, baptizado pelas monjas de Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto e por elas feito padroeiro da terra, remonta a antes da nacionalidade, pois foi mandado erigir por D. Diogo Tructizindes (ou Tructezendes) e seus filhos em quatro de Dezembro de 1062 ou de 1058, segundo outros, para ali professarem as religiosas de S. Cristóvão.

Em 1801 tinha 2 675 habitantes. Do mosteiro que caracterizava e dava importância ao couto de Rio Tinto nada resta actualmente. Sabe-se, porém, que foi extinto a 6 de Janeiro de 1535, ficando com os seus privilégios o mosteiro beneditino de Avé Maria no Porto.

Em 10 de Dezembro de 1867, através de um decreto, deu-se a criação do concelho de Rio Tinto. Dele faziam parte sete paróquias civis: Águas Santas, Covelo, Gondomar, São Pedro da Cova, Rio Tinto, Valbom, São Vicente de Alfena e Valongo. Este concelho existiu até 14 de Janeiro de 1868.

Em 28 de Junho de 1984 voltou a ser vila, agora com duas freguesias – Rio Tinto e Baguim do Monte. Desde 21 de Junho de 1995, onze anos depois de ter sido elevada a vila, foi oficialmente criada a cidade de Rio Tinto, constituída pelas freguesias de Rio Tinto e Baguim do Monte.

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