Moinhos

…Requiescat in Pace!

Hoje restam mais recordações do que moinhos.

No início do século XIX, as águas do rio Tinto eram tão disputadas que moleiros e lavradores litigaram o tribunal. Esta freguesia tinha, em 1758, 45 moinhos que moíam somente até ao S. João, isto para um total de cerca de 2500 pessoas.

Aqueles tempos eram de necessidade generalizada mas, ainda hoje, trazem boas recordações a muita gente, e também alguma angústia por verem tão importante património delapidado, muitas vezes por aquelas instituições que deveriam ser as primeiras a preservá-lo como memória de um passado colectivo e em prol de um verdadeiro desenvolvimento.

As Memórias Paroquiais relativas ao ano de 1758 já referem que esta freguesia possuía quarenta e cinco moinhos, um lagar de azeite, duas noras, estes moinhos moem até o São João e daí por diante moem de prezada por se lhe tirar as águas para regar os frutos.
Comparando as duas fontes e admitindo que tem um mínimo de rigor, somos levados a concluir que a maior parte dos moinhos do concelho se localizam em Rio Tinto. Destes, uns pertenciam a moleiros e outros a lavradores que moíam para o consumo próprio. Estes moinhos, movidos pela força da água, são testemunho de que as populações sempre souberam aproveitar as condições naturais para benefício próprio.

E o moinho a vapor não seria também aqui, uma vez que aparece situado no lugar do Mosteiro? O Sr. Custódio “da Quelha” informou-nos ser de seu tempo o funcionamento de um moinho a vapor fazendo parte do “moinho da Vitória”. O senhor Mário Marques confirmou-nos a sua existência e, de acordo com informações que colheu junto de duas filhas da referida Vitória, localizou o início do seu funcionamento em 1905. Segundo a mesma fonte, existiram pelo menos mais dois moinhos a vapor em Rio Tinto. Um em Chão Verde – onde estão hoje instaladas as confeições Dominique- e outro em Baguim. Este último ainda moía na década 50. É ainda salientar uma fábrica de moagem que existiu na Lourinhã. A fábrica de moagem de Rio Tinto foi construída no início do século e em 1905 já se encontravam em laboração. Após o seu encerramento, as sua instalações, nos anos trinta/quarenta, chegaram a ser utilizadas para espectáculos, designadamente teatrais.
O surgimento das mós “ industriais” na freguesia não acabou com os tradicionais moinhos em água, coexistindo uns e outros. Parece mesmo que os lavradores, para cozerem o seu pão, preferiam a farinha obtida nos moinhos a água que era mais fina do que os moinhos a vapor e das moagens. Esta diferencia deve-se ao facto de as mós industriais girarem mais rapidamente, dando maior rendimento, mas produzindo uma farinha mais grossa.

Destes existem alguns ou suas ruínas, mas são poucos os que ainda moem. O da “Vitória”, na Ranha, a partir dos anos 60, deixou de cumprir a sua função e passou a ser utilizado só como habitação, mantendo-se assim até hoje. Quanto á Perlinhas e á Ranha estas foram demolidas e eram situadas onde hoje é a linha do metro.

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