Quintas…que a cobiça ou a vã glória não as destrua.

Ao longo da Estrada da Circunvalação, havia guaritas onde os guardas – fiscais controlavam as entradas e saídas de produtos de e para cidade. Quase em frente do arruinado Cine-Teatro Vitoria havia um desses postos de controlo.

Mesmo dentro da cidade, no século XIX, áreas como a Rua D. Manuel II (antiga Rua dos Quarteis) ou a Rua do Campo Alegre eram arrabaldes, onde os poderosos de então (a Burguesia endinheirada) tinham as suas casas de campo.

Assim, a família Pinto Basto, por exemplo, tinha a sua Quinta da Macieirinha (actual Museu Romântico) na Rua de Entrequintas (a Casa Tait, outra Quinta, margina o outro lado da referida rua).

Os Andresen, os Burmester, entre outros, tinham as suas belas Quintas no Campo Alegre (há 40 anos, nesta artéria havia largos hiatos de campos entre as muitas quintas que aí existiam…).

Que acontecia na nossa área, prolongamento natural da zona oriental da cidade do Porto?

Ouçamos Júlio Dinis, em Uma Família Inglês:

«Esta nossa cidade (o Porto) divide-se naturalmente em três regiões distintas por fisionomias particulares.

A região oriental, a central e a ocidental.

O bairro central é o portuense, propriamente dito; o oriental; o brasileiro; o ocidental, o inglês.

No primeiro predominam a loja, o balcão, o escritório (…) Há ainda neste bairro muitos ares do velho burgo do Bispo, não obstante as aparências modernas que revestiu.

O bairro oriental é principalmente brasileiro, por mais procurado pelos capitalistas, que recolhem do azulejo – azul, verde ou amarelo, liso ou de relevo; o telhado de beira azul; as varandas azuis e douradas; os jardins, cuja planta se descreve com termos geométricos e se mede a compasso e escala, adornados de estatuetas de louça , representando as quatro estações; portões de ferro, com o nome do proprietário e a era de edificação em letras também douradas; abunda a casa com janelas góticas e portas rectangulares e a de janelas rectangulares com algumas ameias, e o mirante chines. As ruas são mais sujeitas á poeria. Pelas janelas quase sempre algum capitalista ocioso.

O bairro ocidental é o inglês (…).

Predomina a casa pintada de verde-escuro, de roxo- terro, de cor de café, de cinzento, de preto… até de preto! Persianas e transparentes de fazerem desesperar curiosidades. Ninguém pelas janelas.»

Rio Tinto situa-se na periferia oriental da cidade do Porto: se ainda há 20 anos atrás grande parte das áreas ocupadas hoje por prédios e arruamentos eram espaços verdes, onde as ovelhas pastavam bucolicamente, no século XIX muitas quintas aqui existiam, algumas dos quais de “ brasileiros de torna-viagem”, como lhes chamou Camilo.

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