Manuel Ferreira das Neves

Industrial, doador do terreno da escola de Carreiros, membro da direção dos corpos gerentes do Futebol Clube do Porto e do Ateneu Comercial, proprietário no Forno.

O seu nome completo era Manuel de Sousa Ferreira Neves. Natural de Rio Tinto, tendo nascido em Rebordãos, na Casa de Quintão, que ainda hoje existe. Descendia da família dos Tenentes de Rebordãos, sendo filho de David de Sousa Neves e de Carolina Ferreira das Neve.

Esta família dos “Tenentes”  -assim chamados por serem grandes proprietários de terras e tendo jurisdição dentro delas – era composta por quatro irmãos, : António, David, Domingos e Ana. Segundo o seu filho Dr. Carlos Neves, nas partilhas dos Tenentes, o António, por ser mais velho, ficou com a casa–mãe, dentro de um regime próximo do morgadio e o seu avô com parte em bens e parte em dinheiro. Dez contos – 10 mil escudos em moeda corrente seraim 50 euros –  nesse tempo, deram para fazer um bairro de doze casas, na Estrada Exterior da Circunvalação, atrás da “ Casa Grande”.

Em 1912, os pais de Manuel (David e Carolina) foram viver para a “ Casa Grande”, que ficava no nº 3670, na referida estrada Circunvalação.

Em 1924, o casal separou-se, tendo-se iniciado um processo de divórcio, que só acabou em 1947, quando se fizeram as partilhas. Uma filha ficou com a mãe e Manuel ficou a viver com o seu pai. David era lavrador, proprietário de uma casa de lavoura no Forno. Manuel fez o 4ºano da Escola Raul Dória e, aos 15 anos, disse aos pais que desejava trabalhar. Aos 18 anos já era gerente de uma litografia na Serra do Pilar.

Casou com Zenóbia Borges de Queirós Neves (25.12.1910 – 4.01.1970). Casaram-se em 1939, no dia de Natal e também batizaram o filho, um ano depois, nesse dia. O filho, Dr. Carlos Neves, eternamente apaixonado pela mãe, refere que era muito católica. Aos necessitados não dava dinheiro, mas comida. Os pobres comiam do que havia na casa para comer. A mãe servia-os pondo o prato com comida e um copo de vinho, num tabuleiro, sobre um pano, com um guardanapo. «Na nossa casa – acrescenta – a comida era igual para os patrões e para os empregados».

Após a sua morte, pai e filho andaram de gravata preta durante 15 anos. Um dia a solidão pesou e Manuel Ferreira Neves voltou a casar. Esse segundo casamento durou ainda dez anos, até fechar os olhos.

Profissionalmente, esteve sempre ligado á indústria gráfica. Em 1947, fundou com um sócio á Litografia União, em Vila Nova de Gaia. Chegou a ter 132 operários na empresa. Enquanto pôde andar, até dois anos antes de morrer, ia todos os dias ao escritório.

Em 1960, construiu duas casas junto ao estádio das Antas, na Av. Fernão de Magalhães, e a família passou a viver na casa do lado sul. A localização não foi por acaso. Manuel Ferreira Neves era um homem do futebol. Durante trinta anos, o nosso biografado foi membro dos corpos gerentes do Futebol Clube do Porto. Era o sócio nº 69. Pertenceu ao Concelho Fiscal, á Assembleia Geral e á Direção.

Pertenceu também aos corpos gerentes do Ateneu Comercial do Porto. Foi quando ocupava esse cargo, na altura em que presidia á direção o Dr. António Macedo, que se precedeu à grande remodelação do edifício.

Voltemos a Rio Tinto, à casa de Lavoura do Forno. Os seus terrenos estendiam-se da rua João Vieira por toda a área da rua, que hoje tem o seu nome, até ao bairro “ Mãos á Obra”, por Carreiros e Santegãos. Carlos Neves diz-nos que essa propriedade dava cerca de oito pipas de vinho. Os vizinhos, quando falam nesta casa, referem sempre uma grande ramada na frente.

«Com três videiras produzia uma pipa de vinho americano» – esclarece-nos. Eram caseiros que trabalhavam as terras. «Já tenho 72 anos e desde que me conheço sempre vi lá caseiros» – recorda-nos Ermelinda Costa Ribeiro.

Em prol de Rio Tinto, Manuel Ferreira Neves doou o terreno para a Escola Primária de Carreiros, juntamente com D. Zenóbia. A Escola da Triana também está construída sobre um terreno seu, mas este foi vendido a preço simbólico. A escritura da doação para a Escola de Carreiros data de 1.08.1957, quando era presidente da Câmara o Dr. Porfírio de Andrade. Essa parcela de terreno doado media seiscentos e cinquenta metros quadrados. Em 1986 e 87, fizeram vários loteamentos dessas propriedades. No campo da Cortinha, onde estava a casa- mãe que fora de João Vieira, começou a nascer uma rua com lindas vivendas de um lado e do outro. Era preciso dar um nome á nova artéria… Um dos compradores importantes foi o Dr. Laureano Gonçalves, cunhado do major Valentim Loureiro – mas antes de presidir á Câmara de Gondomar.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s