Dr. Cancelas (1837-12.10.1893)

Deputado, Presidente de Câmara.

É o mais antigo riotintense a dar o nome a uma rua. Parece ter sido dos mais importantes, com projeção concelhia e nacional.

Curiosamente, o nome “Cancela” ou “Cancelas” parece ter sido uma alcunha popular de um lavrador da Venda Nova, alcunha que foi passando de pai para filhos. Talvez nome de casa.

O primeiro “Cancela” registado foi João Martins Ferreira, que foi Admistrador do Concelho de Gondomar, em 1854. Também foi presidente da Junta de Rio Tinto, em 1840.

Era natural de S. Cosme, mas deve ter vindo para Venda Nova muito novo, porque Camilo de Oliveira diz que era natural desse lugar. O autor citado define-o como: “um grande proprietário, conhecido vulgarmente pelo Cancela e também militava no partido regenerador, como chefe local, chegando a ser Administrador do Concelho”.

Segundo o nosso colaborador Agostinho Ribeiro, como esse Cancela não era “doutor” e a rua é “ Dr. Cancela”, deve tratar-se do filho Dr. Delfim Martins Ferreira. Mário Marques confirma.

Na Conservatória do Registo Civil, em Gondomar, procuramos o seu registo de óbito. Então já podemos saber que o Dr. Cancela era natural da Venda Velha. Era filho do tal João, que aparece como proprietário. Sua mãe era Maria Vitória Pinto, natural de Fânzeres.
O Dr. Cancela morreu solteiro, sem filhos, apenas com 56 anos. Não fez testamento e faleceu sem sacramentos “por os não reclamarem”. O Abade da época era o Dr. Manuel Cavadas.

Camilo de Oliveira acrescenta que o Dr. Delfim da Venda Nova “foi uma das individualidades mais importantes do concelho”. Pelo seu falecimento, a Câmara Municipal, na sessão de 19. Outubro. 1893, exarou na cata o seguinte:

“Talento robusto, ilustração pouco vulgar, carácter impoluto, honrou sempre o seu País e a terra que lhe deu berço, já nos bancos das escolas, já em convívio particular, já no meio quase deletério, da vida pública. Foi deputado por este círculo, e ninguém tomou ainda a peito os justos interesses daqueles que lhe cometeram o encargo de os representar no Parlamento. Foi presidente desta corporação; e ninguém desempenhou ainda este cargo com tanta competência, nem com mais escrupulosa justiça ou mais sincero empenho de realizar melhoramentos úteis. Nele perdeu a Pátria um cidadão de altíssimo valor intelectual e moral, e este município um dos seus filhos mais distintos e um dos seus mais prestimosos servidores. Os desenganos, e as ingratidões sofridas fizeram-lhe abandonar a política, mas nunca deixou de ser dos mais extremos defensores dos direitos desta terra, dos mais energéticos propugnadores do ser progresso. Possam os homens de valimento e boa vontade, trabalhando com afinco na realização do mesmo ideal, algemando o coração À memória do saudoso extinto, elevar este concelho ao grau de prosperidade a que tem jus pela sua posição, pelo número dos seus habitantes e pela riqueza do solo, tornando assim menos sensível a perda irreparável.
O presidente Sr. António Martins do Rio propôs em seguida que estas palavras ficassem exaradas na acta e que se enviasse dela cópia ao irmão do extinto. Aprovado por unanimidade».

Consultando o quadro dos Presidentes da Câmara de Gondomar, encontramos Delfim Martins Ferreira nos anos – 1872 e depois no triénio 1874-75-76.

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