Destino: Brasil

Certamente, no meio dos milhares do distrito do Porto que partiram, haveria alguns riotintenses. Talvez até bastantes, talvez a emigração não fosse escassa nessa altura, não temos dados que sustentem qualquer das hipóteses. Todavia, aqui também se sentiam problemas sociais que a emigração engendrava. Um registo de óbito feito aos 11 dias de abril 1866, reflete com um drama familiar fruto da emigração masculina. Nesse dia, o pároco registou o falecimento de um recém-nascido de Rebordãos:

Procuramos colher dados sobre emigrantes de Rio Tinto. Infelizmente, não existem registos por freguesias, apenas concelhios. E actualmente só existe números nacionais ou de grandes regiões, devido á integração na União Europeia e à não necessidade de passaporte para os países da Comunidade.

Por isso os dados fornecidos pela Monografia de Rio Tinto  têm por base quanto a esta matéria as informações prestadas pelas pessoas mais velhas naturais de Rio Tinto.

Foram ouvidos três riotintenses que incluiram a luta pelo progresso da terra no rumo das suas próprias vidas. Ouviram ainda  uma quarta , como voz feminina – Maria Bela que nasceu a 18.12.1916 e que possuia  a 4ª classe e era costureira reformada.

Como homem de memória prodigiosa e artista, referiam-nos Abel Tavares, nascido a 18.07.1911. Literariamente possuia o 3º ano da Escola Industrial de Artes Faria Guimarães (hoje Soares dos Reis). Estava reformado como “contramestre principal de locomotivas a vapor”. Escreveu dois livros, poesias para a revista O Ferroviário e expressou a sua criatividade em seis artes – ourivesaria, declamação, teatro, poesia, literatura e desenho.

Mário Marques, nascido a 14.10.1921, foi-nos indicado como grande sabedor em História local. Formado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Industrial do Porto, com 19 valores á disciplina de História no Liceu, tem artigos publicados em jornais locais.

Como conhecedor do meio local e assuntos de administração, foi-nos indicado Agostinho Ribeiro, filho de um administrador de Concelho com o mesmo nome. Nasceu a 19.02.1926. Contabilista formado pelo Instituto Comercial do Porto, é autor do primeiro anseio de promoção de Rio Tinto a vila, publicado em Terras da nossa terra, Dez. 71.

Acerca da emigração do típico “brasileiro”, que embarcou pobre e regressou rico à terra, existem alguns casos ligados a Quintas de Rio Tinto.

Abel tavares sobre este assunto referiu:

“Recordo-me de um que era da Cavada Nova – o Belmiro Ribeiro dos Santos. Eu andei lá quando rapaz a ajudar um eletrecista, aí por 1926. A casa tinha uma paredes pintadas muito bonitas. Quem lhe fez essas pinturas foi o Pedro pintor, do heroísmo. Naquele tempo usava-se pintar assim as salas de jantar, gente rica”.

Na verdade, Belmiro regressou do Brasil casado com uma brasileira, Gertrudes Maria Marques. Mais tarde legaram a sua quinta, dominada “Quinta Santista”, ao Preventório, onde funcionou depois a Escola Preparatória Martin Fernandes e mais tarde  e duarnte algum tempo a Secundária de Rio tinto. Foi também anexo desta. Quem quiser observar seus retratos, encontra-se no 1º jazigo-capela à esquerda,  entrada pela antiga feira.

Perguntamos também ao Eng. Mário Marques sobre os “brasileiros”. Referiu-nos além de Belmiro Santos e dos antecessores do Sás – que incluiu a Quinta do Pinheiro,  que diz que se localizavava  onde hoje foi a Mondex e hoje é a Opel, que viera dum irmão do David Correia da Silva, a Quinta da Estrada que no roteiro fica na Rua N. Srª do Amparo, 510.

Os jornais da localidade, do tempo da Primeira República, publicam algumas chegadas e partidas de conterrâneos para as terras de Vera Cruz. Mesmo hoje, todos nós conhecemos, ou ouvimos falar, numa família ou alguém de Rio Tinto que vive noutro país. Portugal, país de emigração tem comunidades em diferentes partes do globo. Certamente também gente de  Rio Tinto escolheu, ao longo do tempo, outros países para viver e até para deixar os seus restos. Dizia o Padre António Vieira (Séc. XVII) que “Deus deu aos Portugueses um berço estreito para nascer, mas deu-lhes o mundo inteiro para morrer”.

Curiosamente, houve um fenómeno de emigração em Rio Tinto que não sabemos se ocorreu noutras terras – a emigração para França após a 1ª Grande Guerra. Como foram bastantes militares daqui para o conflito e apreciaram o desenvolvimento da França, alguns regressaram mais tarde arrastando outros. Estão neste caso o tio Serafim de D. Maria Bela que, segundo ela nos informou, regressou a esse país para trabalhar, na década de vinte, levando com ele familiares.

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