Sr. Cavadas

Dizem que a “Rua das Cavadas” tem a ver com a “casa Cavadas”. Era uma casa importante já no séc. XVIII, pois os Fundos Paroquiais referem que tinha escravos.

Nessa grande casa de lavoura nasceu o Dr. Joaquim Ferreira Cavadas. Era «formado em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Foi para Penedono onde é médico do partido» – Monografia de Gondomar. III:124.

Parece que a toponímia dessa rua terá a ver com a família Cavadas que contribuiu com terrenos para a abertura de ruas desse local. Acerca deste último Cavadas , de nome José, contam-se muitas histórias pitorescas, que dariam ricos contos literários se fosse aproveitadas por um escritor.

Era rico e avarento. Por dois tostões mais barato, percorria três quilómetros para fazer a barba noutro barbeiro. Quando lhe chamavam a atenção para a distância, costumava dizer «Enquanto vou e venho não andam os caminhos sem gente».

Ficou na história local, contada por muita gente, a brincadeira que quatro moços fizeram a esse senhor no túnel da estação, “roubando-lhe uma pasta. Entre esses quatro rapazolas, estava Serafim Barbosa (ouvido também para esta Monografia), mais dois acunhados de “vivo” e “morto” (este assim apelidado porque, nos jogos de futebol, deixava entrar as bolas todas na baliza). Ameaçaram-no com uma pau de videira, a fingir de pistola, e lançaram-lhe uma lanterna aos olhos. Foi uma brincadeira em que entraram os próprios funcionários da estação. Ele foi-se queixar ao regedor, de nome Aguiar, (que segundo Mário Marques era pai do Dr.Naftali) que tinha sido atacado com uma “faca de diversas dimensões”. As mães dos rapazes foram chamadas ao regedor e, na presença do Sr. Cavadas, foram condenadas a pagar uma multa para as obras da Igreja.

A esposa dele era também rica, mas dizem que ele não lhe dava dinheiro para o governo de casa. Conta-se que ela ia então a caixa do milho e pedia a vizinha para o ir vender. Zé Cavadas desconfiou e pôs na caixa paus, com uns espetos, para marcar a posição do milho. Todavia, a esposa (que definem como distinta inteligência), ia por baixo e serrava os paus, ficando estes na mesma direcção, embora o milho fosse descendo para o nível inferior.

Histórias interessantes de outros tempos!

Outra história que também ouvimos, que ultrapassa a imaginação de qualquer bom literato, é que ele, antes de sair de casa, metia o dedo no sítio respectivo das galinhas para ver se iam pôr ovos. Quando chegava, perguntava onde estava o ovo da galinha pedrês ou de qualquer outra que ele sabia que tinha ovo para pôr. Assim controlava a venda de ovos. Realmente a esposa tinha que ter muita cabeça e alma de santa!

Também houve um padre Cavadas (Dr. Manuel da Silva Cavadas), em Rio Tinto. Mas dizem que não pertencia a esta família, embora Mário Marques afirme que sim, que a família era grande e havia vários ramos espalhados pelas terras circunvizinhas.

Este padre era natural de Águas Santas, onde está também enterrado. O jornal O Moscardo, de Setembro de 1910, noticia o seu falecimento em 22 de Setembro desse ano. «Era bacharel formado em Direito pela universidade e militou sempre no partido Regenerador».

O jazigo-capela da família Cavadas é o terceiro do lado esquerdo, a contar da entrada principal.

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