Dr. António Gomes dos Santos (8.12.1844 – 8.03.1908)

Médico, Presidente de Câmara de Gondomar no triénio de 1887-88-89.

Era natural de Macinhata do Vouga. Como Presidente de Câmara, a ele se deve o começo da construção da estrada que ligaria o lugar de Medancelhe à Granja. Formou-se em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 17 de Maio de 1879. Foi um afamado algebrista e proprietário, por casamento, da Quinta dos Endireitas.

Exerceu medicina em Valbom.

Escreveu o livro Considerações Geraes sobre o tratamento profilático e curativo da PHTYSICA PULMUNAR, publicado no Porto, em 1877. Dedicou-o a seus pais, ao tio P.e Manuel Gomes dos Santos, ao irmão P.e João Gomes dos Santos e a um primo “Dr.”. É, como o título indica, uma obra de medicina com considerações para tratar a tuberculose, o que era incurável, preocupando, por isso, os médicos do tempo. Ele achava que o doente não devia «renegar a medicina, embora a sua doença dela pareça zombar por muito tempo, nem o médico deve abandonar o doente, enquanto não estiver esgotado todos os recursos da medicina, acompanhando-o mesmo até ao túmulo; porque a medicina não tem só por fim o curar, mas também aliviar e consolar o doente até aos últimos momentos da sua existência».

Este livro encontra-se na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Foi casado com Maria Cândida dos Santos Pinto (30.01.1858 – 21.03.1955), D. Maria do Endireita, filha do famoso algebrista Zeferino Santos Pinto (18.22 – 24.05.1955).

É devido a este algebrista que muitas pessoas designam também por “Quinta de Endireita” a propriedade onde residiu o nosso biografado, seu genro, que integrava a capela de Nª. Srª. da Lapa. Escreveu Agostinho Ribeiro:

«Chegados aos anos trinta, a D. Maria do Endireita é uma pessoa conhecida, muito conceituada, grande proprietária. Habitava no grande casarão da quinta, também conhecido por “Quartel”, dado o formato longitudinal da sua construção, e composto por muitas portas e janelas.

Dizia poder ir essa senhora de sua casa à Igreja da Formiga, em Ermesinde, sempre em terrenos seus».

Curiosamente, consta que, no fim da vida, esta senhora passou necessidades. No entanto, quando derrubaram a casa, à cerca de 20 anos, encontraram um “pote de libras”, ou seja, imensas moedas guardadas numa parede. Conta Felicidade Moutinho da Silva, de 53 anos:

«A dona dizia que, quando trovejava, quando se ouviam aqueles trovões fortes, fazia eco naquele sitio da parede. Quando demoliram a casa, as moedas espalharam-se. Depois apanharam-se muitas, por aqui, por ali, na remoção da terra. Elas não estavam só num sitio. Mas pareciam ter estado todas encasteladas num recipiente. Houve quem apanhasse 400».

Algumas dessas moedas, que ainda existem, são do princípio do primeiro quartel do século XIX, de D. João VI. A mais antiga de que tivemos conhecimento é de 1814.

Consta que os Santos Pinto era descendentes de franceses. E a respeito da permanência do exército francês na localidade, aquando das invasões, do inicio do séc. XIX, consta que a designação dos pães pequenos por “moletes” vem desse tempo e diz-se que só nesta região (do Porto) se usa o termo. Colhemos a versão da memória de Agostinho Ribeiro:

«Contava o meu pai que havia um general que era Molet, que estava sediado por aqui. Ele exigia que os de Valongo lhe dessem ou vendessem um determinado número de pães. (O pão de Valongo é muito apreciado. Dizem que é por causa da água, porque a farinha é igual). E então eles iam a Valongo, a cavalo decerto, buscar os pães todos os dias para o exército francês, domando metal general Molete. Nessa altura diziam: “Olhas os pães para o Molete, vamos buscar os pães do Molete, vamos buscar os moletes… e assim ficou”».

Em Paris existe uma rua Alfred Molet. Talvez perpetue este general.

O Dr. António Santos Gomes está sepultado, juntamente com esposa, sogro e demais família, no primeiro jazigo à esquerda da entrada principal do cemitério.

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