Dr. Domingos Gonçalves de Sá (10.01.1917-15.06.1977)

Presidente de Junta, primeiro administrador de bairro.

Natural de Rio Tinto. Era neto materno de David Correia da Silva, por descender da sua filha Rita, que casara com Domingos Gonçalves de Sá Júnior.
«Ainda cheguei a conhecer a D.Rita. Era uma jóia de senhora, boa para os pobres. Era irmã da D.Alzira que casou com um dos “Araújo e Sobrinhos”. Um dos filhos é que venderam os terrenos para o “Modelo”» – diz-nos D.Maria Bela.D.Rita faleceu em 1925.
Licenciado em Ciências Económico-financeiras, iniciou a sua carreira profissional em Lisboa. Regressando a Rio Tinto, passou a dirigir a firma “Sociedade Comercial Sás,Lda”, no Porto, rua Mouzinho da Silveira, que seu pai e um tio haviam fundado em 1934.
Para este trabalho, tivemos a oportunidade de conversar com os filhos Pedro, João, Miguel e Rita e ainda com seu genro Francisco Fernandes. Ouvimos também outros conterrâneos que nos transmitiram a ideia de que ele não era uma pessoa fácil de definir.

Como Politico – Tanto era amigo de Salazar, como ajudava as famílias dos presos políticos. «Atendia todos por igual, nunca foi uma pessoa de excluir ninguém – diz-nos seu filho Pedro. – Por exemplo, quando nos precisamos dumas explicações de Matemática, pôs-nos o Dr. Teixeira de Sousa, que seguia uma política diferente».
O Dr.Francisco Fernandes (marido da Dr.Rita Sá), caracteriza-o como «um homem inteligente, sensível, culto e bom». Diz que «gostava de política e, tendo embora uma posição conservadora, manifestava, no trato com as pessoas, uma grande liberalidade. Respeitava as opiniões alheias, respeitava os outros, sem que isso significasse menor convicção nas ideias que, desde sempre, perfilhou»
Foi 16anos presidente da Junta, eleito em quatro mandatos seguidos de 1951 a 1967. Quando se criaram os Bairros Administrativos (Marcelo Caetano), ele foi o primeiro administrador nomeado. O seu gabinete ficava no edifício da Junta onde depois funcionou a secção da Camara antes de passar para o Centro Cultural.
Na Acta da Junta de 31 de Dezembro de 1967, há um “voto de louvor” ao Presidente da autarquia feita pelo pároco Costa Leite. E foi descerrada uma placa, que se encontrava no edifício da Junta, com os seguintes dizeres: «Às Juntas da Presidência do Dr.Domingos Correia Goncalves de Sá em atitude de reconhecimento. A Freguesia de Rio Tinto 1951- 1967».
Há pessoas da localidade que referem que, devido aos 16 anos em que esteve na Junta, podia ter feito mais pela freguesia. Todavia, «Nesse tempo – esclarece António Guimarães, que também pertenceu à direcção da autarquia, -à Junta cabia-lhe apenas passar atestados e tratar dos assuntos relativos ao cemitério».
António de Oliveira Santos informa-nos que foi o nosso biografado que, estando na Junta, mandou edificar a Casa Mortuária que eta dentro do cemitério.
Um facto que ficou ligado á sua actividade política foi uma reunião que Domingos Vieira Mendes testemunha desta forma:
António Branco esteve nessa reunião. «Houve uma representação da oposição acentuada. A reunião era para aflorar os problemas da terra e recolher sugestões. Mas depois foi “manietada” pela oposição. Foram eles os principais intervenientes – Virgínia Moura, o marido, e outros personagens que não eram da terra, mas ligados a eles».
Mário Marques apresenta outra visão: «Não senhor, falou quem quis. Nessa reunião, o comandante da Guarda chegou a dizer que os riotintenses não eram bairristas. E o Dr. Sá mandou-o por fora, É verdade! Ele não era assim tao peco como muita gente julga!»
Mário Marques recorda quando viajavam, para o Porto, no mesmo carro eléctrico:
Seu genro, que discorda do termo “progressista”, escreveu o seguinte: «Quando comecei a privar mais de perto com o Dr. Domingos Sá, vivia-se um tempo de vésperas, em que já se anunciavam as grandes transformações politicas, sociais e de mentalidades, que, pouco depois, se verificaram. Falávamos de livros, da situação politica e de religião. Nem sempre as nossas posições coincidiam inteiramente, mas, sem abdicar de uma coerência que manteve ate ao fim, o Dr. Domingo Sá ouvia-me com atenção e interesse. O mundo mudava. Ele não. Permaneceu íntegro e igual a si próprio.
Seguramente que terá discordado de muitas das transformações por que o pai passou no final da sua vida, não tendo aderido a princípios e praticas que não eram, em consciência, os seus».
Dizem ter armado Rio Tinto de alma e coração, por isso não admira que tenha estado na primeira luta de promoção de rio tinto a vila. Na altura da visita de Américo Tomás a Rio Tinto, em 1971, pertenciam á junta – António de Oliveira Santos, Agostinho da Silva Ribeiro e Serafim Ferreira Barbosa. Foi essa junta a primeira a lutar por essa elevação. Existe mesmo um artigo, escrito pelo 2º membro da junta, que foi publicado na revista Terras Da Nossa Terra, em dez. de 71, intitulado «um justo anseio: ser promovida a vila», onde expressa «os legítimos anseios, justas aspirações». Agostinho Ribeiro foi também o pai da aldeia e dizeres “Rio Tinto quer ser vila” (apresentado na recepção ao presidente da republica, em 24.11.1971, apanhado pela D.G.S. minutos antes da chegada). Foi nessa altura que a junta lhe ofereceu uma salva de prata, que depois apareceu uma casa de penhores.
Ora, numa acta de 14 de Nov. 1971, em que se fala da preparação da visita presidencial, lê-se que a junta convidara o administrador do Bairro, que era ^Domingos Sá, para a reunião, «na sequência de diligencias anteriores efectuadas por esta junta no sentido de promoção de Rio Tinto a vila…». Nessa altura, Domingos Sá comunicou ter-se avistado com o Presidente da Camara de Gondomar, «com quem trocou impressões sobre o assunto», e comprometeu-se a marcar uma audiência com o Governo Civil do distrito.
Acerca da visita presidencial, conta Oliveira Santos:
Mário Marques também esteve presente. E testemunha que « O rapazote, que era na altura o ministro do Interior, que isto não tinha condições de ser vila, porque não tinha um centro cívico. Disse na minha presença. E eu respondi-lhe: “mas Mogadouro tem”. Essa conversa foi na rua, á beira da junta. Depois encontramo-nos mais tarde em Mogadouro. Ele era de Bragança, mas estava cansado com uma senhora de Mogadouro».
Como homem- o Dr. Domingos Sá casou com Elisa Gomes Mesquita de Cunha e tiveram cinco filhos. Estes referiram o gosto pela cultura de seu pai.
«era uma pessoa culta-escreveu o Dr. Francisco Fernandes. – Possuía uma vasta biblioteca, que constituiu passo a passo, desde os seus tempos de estudante universitário em Lisboa. Como bibliófilo, coleccionou sobretudo livros de autores portugueses e revistas literárias, procurando as primeiras edições e as publicações mais raras. Recortava paginas literárias e artigos de fundo dos mais jornais que comprava habitualmente. Conviveu com escritores. Era, em resumo, um homem atento ao que se passava á sua volta».
Pedro Sá recorda seu pai a ler-lhes O Romance da Raposa, (de Aquilino Ribeiro) quando eram pequenos. E contava histórias com enfases.
O Dr. Sá está sepultado em Rio Tinto.

2 thoughts on “Dr. Domingos Gonçalves de Sá (10.01.1917-15.06.1977)

  1. Pelo lado paterno, o Dr. Domingos Gonçalves de Sá era neto do Comendador Domingos Gonçalves de Sá, em cuja ancestralidade há nomes famosos, como MEN DE SÁ, terceiro Governador do Brasil (ver Album de Família). GOSTAVA MUITO DE TROCAR INFORMAÇÕES COM ALGUM DOS DESCENDENTES DO BIOGRAFADO. SOU SOBRINHO-NETO DO REFERIDO COMENDADOR. RESIDO NO BRASIL HÁ MAIS DE 60 ANOS. PEÇO UMA MENSAGEM PELO MAIL: AZ3.AZEVEDO@TERRA.COM.BR. GRATO DESDE JÁ.

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