Joaquim Ferreiro (1895 – 1.12.1968)

O seu nome verdadeiro era José Joaquim Soares. Foi muito difícil obter dados desta figura, porque toda a gente, mesmo vizinhos e familiares, o tratavam pelo nome que se encontra na placa da rua – Joaquim Ferreiro.

Era filho de Felicidade Antónia. Este nome expressa uma realidade triste de Rio Tinto, testemunha a mentalidade de familiares e párocos que faziam os assentos – o de não registarem as meninas com apelidos.

Joaquim Ferreiro casou duas vezes. Da primeira, teve três filhos. A esposa morreu e ele juntou-se com Josefa Carneiro e teve outros três, que ficaram filhos ilegítimos. Como o mundo é pequeno, um deles foi José de Jesus Carneiro que foi Presidente de Junta. Estes dois riotintenses são os únicos ligados ao mundo operário perpetuados na toponímia.

Rosária da Conceição Ferreira, nascida a 5 Março 1924, foi sua vizinha e contou-nos:

 «Fomos nós que demos o nome à rua. Antes era uma vielinha estreita, só para passar carros de bois.  Dos lados havia campos e bouças. Ele comprou terreno ao labrador Casal para a casa, fez a oficina e recusou para trás. Quando nós compramos, também todos alargamos, por lei.»

A rua Joaquim Ferreiro fica paralela à Circunvalação. Quando a visitamos, encontramos o local onde esteve a célebre oficina. Tem o nº 198 e hoje permanece lá um mini-mercado, propriedade de um casal dos lados de Coimbra.

Abel Tavares, que possui uma memória prodigiosa, como atestam os seus testemunhos, também nos informa acerca desta figura:

«Joaquim Ferreiro era um ferreiro de aldeia, uma figura típica de Rebordãos. Conheci-o bem. A rua não tinha nome e então o povo dizia: “é a rua do Joaquim Ferreiro”, porque estava lá a sua oficina. Eu cheguei a lá ir fazer alguma coisas, mas ele aguçava sobretudo picões. Aquilo era uma zona onde havia as pedreiras de Currais, de Rebordãos… Ele depois mudou-se para a cruz do Sistelo, hoje rua do Casal. Conheci um filho do Joaquim Ferreiro que foi para a África do Sul. Casou com uma filha de Joaquim dos Santos Oliveira.»

Contaram-nos que foi morar para perto do cruzamento de quatro caminhos. Era aí que, segundo dizem, se faziam as bruxarias, se punham os embrulhinhos, os defumadoiros. Eram uma encruzilhada, tinha que ser à meia-noite. Aqui fica a informação para os interessados.

Mas voltemos a Joaquim Ferreiro. D. Maria Bela prestou-nos o seguinte testemunho:

 «O meu avô conhecia-o muito bem e até eram amigos. O meu avô andava a cortar pedra ali para os lados da Areosa, da escola da Triana. Falava muito nele. O meu falecido avô até levava lá os picões para aficar, para os pôr em condições para poder trabalhar. Ele fazia peças de ferramenta, fazia os tais picões além de os afiar, fazia os ferros com os feitios para os portões. Depois lembro-me do meu avô dizer que lhe faleceu a mulher ainda nova.»

O Eng. Mário Marques defini-o como «um homem muito sério. Fazia estes ferros forjados. Era um homem muito conhecido e muito considerado».

Mas é D. Rosária Ferreira que nos fornece pormenores, devido à sua vizinhança:

«Ele tinha aqui a forja que era daqueles de fole e fogo. Era um homem sério, muito trabalhador. Às cinco horas da manhã já o ouvíamos a trabalhar no “cavalete”. Ele tinha muito que fazer. Ele também fazia portões, fez o da minha casa. Era um homem de vida. A Josefa, a segunda mulher, também o ajudava, mas não gostava. Mas ficou com uma reforma dele.»

Apesar de não ter legalizado a situação de civil, Joaquim Ferreiro vivia com Josefa Carneiro e os filhos como qualquer outra família.

Quando saíram da encruzilhada de Sistelo, foram viver para perto do rio da Triana. Conta-nos a sua nora, Adelina da Conceição Ribeiro:

 «Foi o filho, meu marido, e os colegas que lhe fizeram a casinha na propriedade de Marques de Quintão. Eles olhavam pela pedreira e pela areia que o sr. Marques vendia e ele deixou-os lá fazer a casita.»

Depois faleceu o sr. Marques, acabou a areia, mas a casinha ainda lá está. É um dos barracos da Triana. Aí vive ainda (em 1996) a Josefa Carneiro, entrevada, com 91 anos. Seu companheiro e filho estão perpetuados em placas da rua e a ela essa “honra” de nada lhe serviu!

No final da vida, Joaquim Ferreiro, já doente, foi para casa do filho “importante” e da nora. No Livro de Óbitos da Junta de Freguesia, consta essa morada.

Joaquim Ferreiro está sepultado na campa onde depois foi enterrado seu filho.

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