José Jesus Carneiro (10/03/1939 – 10/06/1977)

Presidente de Junta, tendo falecido em exercício, apenas com 38 anos.

Natural de Rio Tinto, sendo filho de Josefa Joaquina de Jesus Carneiro. Seu pai era Joaquim Ferreiro que nunca o legitimou, como já dissemos na biografia antecedente.

Militava no Partido Socialista e pertencia ao Sindicato dos Metalúrgicos, tendo sido admitido em 13 de Abril de 1965. Nessa altura, era “serralheiro da construção civil de 1ª”.

Como sindicalista, foi delegado sindical na Empresa da “CUF Portuense” (fábrica de cerveja) onde exercia a profissão de serralheiro. A sua última eleição como delegado sindical foi em 28 de Janeiro de 1977, ano em que faleceu.

«Ele não tinha parança – diz-nos a esposa, Adelina da Conceição Ribeiro. – la para comícios, para a sede do partido na Areoso».

Já se interessava por política antes do 25 de Abril. Mas era calado, não relatava todos os seus passos em casa.

Quando faleceu, deixou uma filha de 14 anos. «Não pudemos ter mais filhos, porque eu fui operada quatro vezes à barriga» – conta a esposa.

Foi Presidente da Junta, em 1977. Esteve pouco tempo, pois faleceu nesse ano, de enfarte. Aliás, essa Junta foi atribulada. Num só ano houve quatro Presidentes. Morava na rua Oliveira Martins, nº 95, onde ainda hoje reside a família.

«Eram 8 horas da manhã quando ele faleceu. Pelos vistos ele não podia tomar banho de chuveiro. Deu-lhe um enfarte, caiu para trás e bateu com a cabeça na banheira. Era o dia do feriado 10 de Junho».

Por sua vez, Alcino Gonçalves Marques recorda:

«Foi o caso mais triste que vivi enquanto funcionário da Junta. Eu tinha ido numa viagem à Ilha da Madeira e mal chego dão-me a notícia. Só tomei um banho e fui logo tratar do funeral, de mandar anúncios para os jornais, etc.».

Conta a esposa «Ele sofria do coração, mas nós não sabíamos. A nós queixava-se da cabeça. Quando se deu o caso é os amigos nos disseram que ele sofria dessa doença».

A esposa foi sempre operária. Trabalhava na Fiação de Tecidos do Porto, quando casou. Hoje trabalha, juntamente com a filha , na fábrica de Passamanarias ELGUI.

«Quando ele faleceu, fiquei com uma pensão de cerca de nove mil escudos e a empresa dava-me quase cinco. Depois, como fiquei viúva com 36 anos, ao fim de nove voltei a casar. Perdi as pensões todas. Estou bem arrependida, porque o segundo casamento desfez-se».

Alcino Marques defini-o como: «Uma pessoa dedicada, muito ativo, pugnava sempre pelos interesses da freguesia. Ele conseguiu subsídios da Câmara, bateu-se sempre pelos subsídios para beneficiar a terra, as escolas primárias da Triana… Ele ia ter com o Presidente da Câmara e dizia: “Senhor Presidente, tem de pensar em Rio Tinto”».

Recorda-o com saudade e continua:

«Na primeira reunião  que teve connosco, disse: “Nós somos a Junta, mudamos e isso, mas a gente passa e vocês é que ficam”. Ele só tinha a 4ª classe. Mas era um homem com perspectivas para fazer muito pela freguesia».

Para nos falar da sua atividade política, conversamos com o seu amigo Sebastião Rosas, que trabalha atualmente na Elgui: «Eu conheci o Zé quando foi fundada a sede do partido socialista na Areosa. Primeiro militávamos juntos pelo mesmo ideal, depois surgiu uma amizade».

Logo nas primeiras eleições, após o 25 de Abril, pertenceram ambos à comissão de recenseamento. Juntamente com outras pessoas, organizaram os cadernos eleitorais nessa área da freguesia.

José Carneiro trabalhou primeiro como ferreiro, com o seu pai, e depois empregou-se na UNICER (antiga Cuf). «Mesmo como Presidente da Junta não abandonou a profissão de serralheiro» – continua Sebastião Rosas. Informa-nos também que, nessa sede de Areosa (hoje já não existe, mas só deixou de existir depois do nosso biografado falecer), se juntavam militantes de Paranhos, Pedrouços, Maia, Campanhã, Águas Santas e de Rio Tinto. Depois foi cada um para as suas zonas e os de Rio Tinto agregaram-se aos da sede próxima da Estação.

«Ele era muito ativo, dedicou-se muito ao partido, tinha até influência na distrital e propusemo-lo como cabeça de lista. Foi aceito por todos. Como o PS ganhou as eleições, ele foi Presidente de Junta».

Perguntamos a Sebastião Rosas como fora a sua ação política enquanto autarca.

«Fez tudo o que estava ao seu alcance. Junto do Presidente da Câmara da altura conseguiu aquilo que pôde para a freguesia. Lembro-me que ele tinha uma verba para iluminar as ruas, e eu andei com ele, até às tantas da manhã para vermos quais as ruas com mais falta de iluminação».

«Era o melhor dos amigos – confessou-nos emocionado. – Era uma amizade que se tinha estendido às famílias. Passeávamos juntos, com a mulher dele e filha e com a minha esposa e filhos. Ele só não fazia um jeito se não pudesse. Era capaz de dar a minha camisa do corpo».

No quinto aniversário de elevação de Rio Tinto a vila, em 1989, a Junta de Freguesia homenageou-o postumamente recordando-o numa placa que se encontra no salão nobre do edifício da autarquia.

Está sepultado em Rio Tinto. Na sua campa rasa tem uma placa dos “amigos” e outra com os dizeres: «Homenagem da Junta de Freguesia de Rio Tinto e funcionários».

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