O Cemitério romano de Penouços

Os achados arqueológicos do Cemitério do Monte Penouços mais não fazem do que atestar a forte presença romana nesta nosso região.
Em 1905, os filhos do lavrador Marques de Sá, moradores em Medancelhe, ocupavam-se em anovar o terreno, da sua bouça do Seixo, sita no Monte de Penouço, próximo da Presa da Lage, em Rio Tinto… Logo acima da pedreira (…) encontraram à pouca fundura da cavada lajedo firme… A breve trecho, verificaram que eram lajes justapostas formando a tampadura de uma cavidade subterrânea.
Tudo nos indica, pois, que por esta região demorou – e por espaço de muito tempo – população romana de certa importância, sob o ponto de vista da qualidade e da quantidade.
Do mobiliário fúnebre encontrado no fundo do sarcófago pouco há a dizer, pois que não é muito numeroso. Temos o vaso de vidro, de secção hexagonal, o qual está completo; o vaso de barro com bocal trilobado; a pequena caneca com um listel castanho abaixo da asa e dois outros da mesma cor entremeados de um branco… De metal, apenas o botão de bronze.»
Destes objectos, que inicialmente foram para o Museu da Cidade do Porto, na biblioteca Municipal, não conseguimos encontrar o “rasto”, já que não se encontraram no Museu Etnográfico…
Quanto às lápides, essas sim, passaram do Museu da Cidade para o Museu Soares dos Reis, fazendo parte do espólio arqueológico da região norte, espólio este que só por si deveria constituir um importante núcleo museológico, mas que infelizmente se encontra guardado na bela e semiabandonada cerca do Museu Soares dos Reis, sujeitas ao desgaste impiedoso do tempo… Uma delas, tinha já o vértice partido, mas que identificámos, caído ao lado.
Estas lápides indicam-nos que no local onde foram encontrados se praticava o rito da inumação. As inscrições constantes nas lápides funerárias variam de acordo com a época. Numa fase inicial, encontravam-se dados exaustivos sobre o morto (nome, filiação, profissão, cargos, honrarias, familiares que mandaram erigir o monumento…).
No entanto, nos finais do século I, inicio do século II, os textos inscritos são simplificados. É vulgar encontrar as iniciais D. M. ou D. M. S. (leia-se “ Aos deuses Manes, ou Consagrado aos deuses Manes”) – os Manes eram divindades do Panteão romano, invocações das almas dos antepassados. Como elementos decorativos aparecem: representações animais e humanas, símbolos astrais…
“O achado principal de agora é a caixa tumular… É uma cavidade rectangular de 2,10 x 0,92 x 0,85m de fundo, feita por quatro paredes de perpi8anho de granito. A cobertura consta de cinco lajes justapostas, assentando de nível sobre as paredes da caixa. As três primeiras são de secção rectangular e têm evidentes sinais de haverem pertencido a outra construção; foram pedras de uma cimalha ou cornija, e duas delas conservam as molduras próprias. Os outros dois esteios da cobertura têm plana a face superior e são abaulados para a parte inferior; não foram também propositalmente feitos para cobrir esta caixa tumular; provieram de outra qualquer construção onde lhe cumpria esta forma plano-cilíndrica. E tanto que nos topos dos esteios a superfície redonda foi desbastada para fazer sobreleito de sorte e assentar firme sobre as paredes laterais. As lajes têm nitidamente insculpidas nas suas faces inferiores- as que estavam voltadas para o interior da cavidade- inscrições romanas sepulcrais— Esta circunstancia denuncia desde logo que não são lápides referentes ao cenotáfio que cobrem, muito embora seja interessante a coincidência de que as três são monumentos funerários que um certo APRONIVS RVFVS ergueu à memória de sua mulher e dois filhos.
Deverá considerar-se proposital estre argumento, e que foi aqui o cenotáfio desta família Rufa? Parece que não. As três lápides foram construídas sob o molde comum das estrelas funerárias e postas nas testeiras das sepulturas.

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