População

A partir da reconquista e do alargamento da área de influência dos reinos cristãos, as povoações mais afastadas da zona de guerra recomeçam a fixar populações. Surgem comunidades religiosas na periferia das áreas recém – reconquistadas e à volta dessas comunidades vão crescer povoações.
Em torno da cidade do Porto, assim aconteceu e vai surgindo um núcleo importante de reconquista e povoamento, que foi consolidando o poder dos chamados “barões portucalenses”.
No início do séc. XI, assiste-se à perda de influência destas poderosas famílias, a que corresponde o crescimento da pequena nobreza local, originária sobretudo da região do Porto, que procura um ambiente mais calmo, junto de rios, na profundeza de vales. A nossa terra era à época, “bem distante” da urbe portucalense e apresentava variáveis biofisicas que faziam dela um espaço atrativo, pois ficava situado num aprazível vale, junto a um rio (Tinto) e inúmeras linhas de água e solos férteis.
Esta época corresponde também a um ideal de pobreza, de contemplação e de dedicação ao serviço de Deus. Entronca também neste ambiente a fundação do Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto que veio a seguir a regras beneditinas.

Sabemos, pela resenha histórica, que Rio Tinto é habitado desde os tempos pré-históricos. Terra fértil, próxima de rios, do mar e de montes, com chuvas abundantes e clima ameno, é natural que atraísse as gentes primitivas. Celtas, Romanos e Árabes viveram aqui e por este chão passaram, certamente, os pés de muitos peregrinos medievais a caminho de S. Tiago de Compostela.

Contudo, excetuando um ou dois nomes romanos, os primeiros nomes próprios de moradores só os encontramos nos séculos X-XI. Deste século até ao XVI, a população ligada ao mosteiro foi predominante na localidade. Os poucos nomes que conhecemos ou eram nobres ou monjas, entre estas salientando-se as abadessas.

Foi no século VVI que se realizou o Concílio de Trento. O Alvará de 12 de Setembro de 1564 publica e recomenda a observância das determinações desse Concílio em todos os domínios da Monarquia Portuguesa. Em Portugal, decorria o reinado de D. Sebastião, mas ainda sob a regência do Cardeal D. Henrique.

Nesse Concílio, foi determinado que os párocos passassem a registar os batizados, os casamentos e os óbitos que acontecessem nas suas paróquias. Em Rio Tinto, o pároco da localidade seguiu as instruções emanadas pelo livro Constituições do Bispado do Porto, começando a fazer esses registos a partir do ano de 1587, já em tempo dos Filipes. Desde então, conhecemos o nome de toda a gente que em Rio Tinto se batizou, que aqui casou e que aqui faleceu. Nascer, casar, morrer, os atos mais importantes do individuo simples, foram passadas a papel e ficarem registados na paróquia e foi assim que chegaram aos nossos dias.

Assim até ao Recenseamento Geral da População, ocorrido em 1864, o rol dos habitantes é nos fornecido pela documentação de entidades eclesiásticas. Naturalmente, como diz Gerardo Augusto Pery, in Geografia Geral de Portugal, “a estatística do movimento da população, feita pelos párocos da freguesia, faz unicamente referência à população católica. Não figura, portanto, nesta estatística a população protestante e judaica nem eram registados os excomungados.

Hoje, a freguesia de Rio Tinto é composta por pessoas que aqui nasceram, sobretudo, por pessoas que, pela marcha dos tempos e particularidades da vida, escolheram esta terra para morar. Muitos fazem de rio tinto apenas um dormitório, mas outros integram-se, porque a localidade os soube bem receber.

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