Invasões Francesas

Das invasões Francesas, ressaltaremos os saques a que o Porto e seus arredores foram sujeitos – as tropas francesas tinham de se auto aprovisionar, pelo que procediam à pilhagem das localidades por onde passavam.
A nossa região não terá sido exceção…
Após a 1ª Invasão Francesa segue-se em Novembro de 1807 a ocupação da região de Entre-Douro-e-Minho pelas tropas Espanholas. Sobre o Porto, por ordem do general Quesnel, marcha o aquartelamento de Viana do Castelo, sob o comando do capitão Mariz – Abril de 1808.
Dos abusos cometidos pelos franceses ficaram inúmeros registos: “Entrados os franceses, foi dada a cidade ao saque – roubaram tudo quanto houve de ouro e prata… no sábado, 1º de Abril, cessou na cidade o saque, continuando todavia nas aldeias” in Magalhães Basto, História da Cidade do Porto.
Seguramente que, sendo Rio Tinto, na época, uma região predominantemente agrícola não terá escapado à cobiça dos estômagos famintos dos soldados napoleónicos – destes abusos, encontramos ainda eco na tradição popular que refere terem-se estes aboletado em casa dos lavradores, comendo e bebendo…
Não era só ao nível dos produtos alimentares que os abusos se faziam sentir… Assim, o delegado da polícia, Perron, exigia contribuições escandalosas para os passaportes, que eram obrigatórios para as saídas da cidade que excedessem duas léguas – mais uma vez, Rio Tinto não poderia ter escapado.
Quando, em 18/19 de Junho, se verificaram revoltas populares, a que se seguiu a formação da Junta da Supremo Governo do Reino, os invasores fugiram para… Baltar, com passagem certa pela nossa localidade.
Quando Soult marchou de Braga sobre o Porto, verificaram-se tentativas de fortificações do arrabalde da cidade – “gato escaldado…”. Essa movimentação das tropas que das imediações avançam para Porto, lá se vai encontrar, mais uma vez, Rio Tinto na rota das tropas. Assim, a 12 de Janeiro, as milícias de Penafiel vão servir na guarniaçao da cidade… as milícias da Maia, Penafiel e Porto vão a caminho de Braga; mas a 27 dá-se o primeiro ataque dos franceses às trincheiras, começando pela do Monte Pedral, que vai também ocupar papel do relevo durante o cerco do Porto.
E, se no Porto escoavam os Vivas  ao “Rei Nicolau” (Soult), a realidade vivida era a que os franceses “não viveram, na cidade como no seu termo, um só dia de tranquilidade, pelo que jamais lhe foi possível depor a espada” in historia da cidade do Porto.
Mas se em Abril ainda Soult ditava leis, em 12 de Maio, a chegada dos ingleses de Beresford libertou a cidade, provocando a fuga dos invasores que, ao cair da tarde, já faziam alto – mais uma vez – Baltar.
Por Rio Tinto passaram, em força, tropas de invasores; por Rio Tinto passaram as tropas dos defensores; por Rio Tinto voltaram a passar, por mais uma vez, tropas de invasores em fuga…
Da sua passagem ficou a memória, oralmente transmitida, do aboletamento das tropas, das requisições/apropriação de bens das populações…
Disse-nos o Sr. Agostinho Ribeiro que seu pai, nascido em 1881, lhe referia que a família proprietária da Quinta da Senhora da Lapa era de ascendência francesa: um militar francês por cá teria ficado após as invasões napoleónicas…
Os franceses partiram, mas as ideias da revolução ficaram… mas o Antigo Regime não cairá sem provocar as suas vitimas.

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